Em Olinda, a solidariedade tem sido servida em forma de cuidado, escuta e alimento. Todas as quintas-feiras, a Paróquia Jesus de Nazaré, localizada na Rua São Miguel, nº 15, no bairro do Carmo, abre seus portões para acolher dezenas de pessoas em situação de vulnerabilidade social por meio do projeto “Fazer o Bem Faz Bem”, uma das iniciativas que refletem a missão da Diocese Anglicana do Recife em seu ano de celebrações institucionais.

(Imagem: Divulgação do Projeto Social “Fazer o Bem Faz Bem”)
Criado em 2018, o projeto nasceu da inquietação de paroquianos diante do crescimento da população em situação de rua na cidade. “O projeto surgiu a partir de um desejo de alguns paroquianos em fazer algo pela crescente população de rua. Começamos distribuindo sopas pelas ruas de Olinda”, explica Clenia Fonseca, secretária diocesana.
Hoje, a ação acontece na própria paróquia e atende cerca de 50 famílias, alcançando aproximadamente 200 pessoas entre homens, mulheres e crianças. Além da sopa com pão, também são distribuídas roupas, lençóis e outros itens essenciais. “Nosso objetivo é desenvolver uma ação de diaconia voltada à população em situação de rua, que vive um cenário de insegurança alimentar e grande vulnerabilidade social”, afirma Clenia.
A mobilização começa ainda no início da tarde. Por volta das 13h, voluntários iniciam o preparo da sopa, em um trabalho coletivo que envolve cerca de 10 pessoas. Às 16h, os portões são abertos e o atendimento começa. “Cada pessoa pode levar em torno de dois litros de sopa com pão para casa. Já quem está em situação de rua pode se alimentar no local ou guardar para a noite”, detalha.
Entre as pessoas que fazem o projeto acontecer está Márcia Carneiro, de 62 anos, que atua diretamente na produção dos alimentos ao lado de Roberto Duarte e Wilton Luciano. “Faço a sopa junto com os amigos e distribuo. A atividade que eu exerço na Paróquia Jesus de Nazaré é a de ser uma das responsáveis pela sopa oferecida aos menos favorecidos. Esse projeto nasceu da vontade de partilhar com as pessoas que têm menos e ajudá-las”, conta.
Márcia também destaca o impacto direto na vida das pessoas atendidas e o envolvimento da comunidade. “Com a ajuda de amigos e colegas, fundamos esse projeto que está aí até hoje. Alguns já conseguiram trabalhar e vieram nos avisar que não precisavam mais da sopa, pedindo para deixar para quem realmente precisa. Muitas pessoas também passaram a frequentar a paróquia”, relata.
A continuidade do projeto depende diretamente da colaboração da população. “A população pode contribuir financeiramente e também trazendo doações, de tudo, inclusive roupas, que a gente também distribui. Muitas mãos fazem toda a diferença”, reforça.
As ações sociais desenvolvidas ao longo dos anos ganham ainda mais destaque em 2026, quando a Diocese Anglicana do Recife celebra seus 50 anos de atuação.
Segundo o bispo João Peixoto, a história da Diocese está diretamente ligada ao compromisso com a transformação social. “Estamos celebrando o Jubileu de Ouro nessa região, fazendo diferença e colaborando com Jesus na construção de um reino de amor, paz, justiça e solidariedade. Essa é uma Diocese inclusiva e plural, que acolhe todos e todas, independente de gênero, raça, condição social e orientação sexual”, afirma.
O bispo também destaca o alcance das ações desenvolvidas ao longo das décadas. “A Diocese desenvolveu vários projetos ao longo dos anos, por meio da doação de cestas básicas, distribuição de alimentos, cursos profissionalizantes e apoio emocional e espiritual às pessoas em situação de rua. Entre os programas em atividade, podemos citar o Fazer o Bem Faz Bem e o Mãos Solidárias [em Petrolina], que atendem centenas de pessoas”, pontua.
Para ele, o momento é também de reconhecimento e gratidão. “É de suma importância celebrarmos esse momento, onde podemos afirmar que até aqui nos ajudou o Senhor”, conclui.
Ao reunir fé e ação, voluntariado e acolhimento, a instituição mostra que sua história não se mede apenas pelo tempo, mas pelo impacto real na vida das pessoas. É nesse encontro entre espiritualidade e solidariedade que a Diocese segue escrevendo seu legado, fortalecendo redes de apoio e ampliando horizontes de dignidade para quem mais precisa.



