A Missão Anglicana da Ressurreição do Senhor, em Feira de Santana (BA), vive um momento histórico e celebrativo: após quase uma década de caminhada missionária, a comunidade passa a contar com um templo próprio, fortalecendo sua presença pastoral, litúrgica e social na região.
A missão teve início em 2015, a partir de uma proposta do então pároco da Paróquia Anglicana Bom Pastor, em Salvador, rev. Bruno Almeida, para que o rev. Adriano Portela, à época em processo de reconhecimento de ordens, desse início a um trabalho missionário em Feira de Santana. Os primeiros passos foram marcados pela simplicidade: encontros de oração com o Livro de Oração Comum, realizados aos sábados à noite, em lares de membros da comunidade — em especial na residência do próprio rev. Adriano e de sua esposa, Renata.
Após cerca de um ano e meio nessa experiência doméstica, a missão passou a ocupar uma pequena sala comercial no centro histórico da cidade. Ao longo dos anos seguintes, a comunidade mudou-se para outros espaços alugados, sempre buscando melhores condições para o culto e a convivência comunitária, até chegar ao novo templo, agora adquirido definitivamente.
Segundo o rev. Adriano Portela, os desafios iniciais foram muitos. Além da falta de estrutura e de recursos financeiros, a missão precisou se afirmar em um contexto religioso marcado por fortes identidades. “Iniciar uma missão anglicana no interior da Bahia significou apresentar uma proposta cristã nova e, ao mesmo tempo, complexa, pois o Anglicanismo carrega uma identidade que dialoga com o Catolicismo e com o Protestantismo histórico, algo ainda pouco conhecido na região”, explica.
Uma comunidade marcada pela acolhida
Hoje, a Missão Anglicana da Ressurreição do Senhor é formada por cerca de 30 pessoas, com presença de famílias, idosos, adultos, jovens e crianças. A comunidade reúne pessoas com trajetórias religiosas diversas — desde ex-lideranças de outras denominações cristãs até pessoas que tiveram no Anglicanismo seu primeiro contato com a fé cristã.
Trata-se de uma comunidade inclusiva, com a participação de pessoas LGBTQIAPN+, incluindo pessoas trans, atenta às questões raciais e comprometida com a dignidade humana. “Se tivéssemos que definir a comunidade em uma palavra, seria acolhida”, afirma o reverendo.
Anglicanismo no Nordeste: desafios e aprendizados
Ser anglicano no Nordeste brasileiro, região com forte tradição católica popular, é descrito pelo rev. Adriano como um grande desafio, mas também como uma rica oportunidade de aprendizado. A espiritualidade anglicana, marcada pela sobriedade litúrgica, pelo equilíbrio entre Escritura, razão e tradição, nem sempre corresponde às expectativas religiosas mais comuns na região. Ainda assim, a missão tem encontrado caminhos para testemunhar uma fé encarnada, reflexiva e profundamente comprometida com a justiça social.

A conquista do templo próprio
O projeto de aquisição de um templo próprio amadureceu ao longo dos anos. Em 2019, a comunidade chegou a tentar comprar o espaço que ocupava, sem sucesso. Mais recentemente, a oportunidade surgiu de forma inesperada, quando o rev. Adriano recebeu, por meio de um grupo de WhatsApp, o anúncio de venda do atual imóvel — um prédio que ele já observava há algum tempo em seu trajeto cotidiano.
Após a visita, negociação e diálogo com o bispo João Câncio Peixoto Filho, a compra foi concretizada. “Tudo aconteceu de forma muito serena e providencial”, recorda o reverendo.
Fé, justiça social e esperança
Desde seus primeiros anos, a missão desenvolve ações sociais, como atendimento psicológico de baixo custo, cursos de cuidado para cuidadores, apoio a indígenas waraos, e um curso pré-ENEM afirmativo. Em 2025, ao completar 10 anos, a comunidade criou a Associação James Theodore Holly, que passa a ser o braço social da missão, com o objetivo de estruturar um projeto social permanente.
Para o rev. Adriano, o crescimento da comunidade está ligado à maturidade de seus membros, à vivência equilibrada da fé e à construção de um espaço seguro para todas as pessoas. Ele também destaca a importância simbólica do momento vivido: a comunidade já celebrou batismos, confirmações e casamentos, e agora aguarda a ordenação de dois de seus membros.
Inspirado pelas Escrituras, o reverendo lembra que o valor da Igreja não está no tamanho, mas na fidelidade ao Evangelho. “Assim como o grão de mostarda, somos chamados a ser abrigo. Em um mundo que confunde fé com poder e status, nossa vocação é cuidar de cada vida que Deus nos confia.”
Serviço e contato
Endereço: Rua São Salvador, 368 – Bairro Tomba, Feira de Santana (BA)
(Ponto de referência: Rua da Escola Municipal Ana Brandão, na rotatória da Av. João Durval)
Contatos:
(75) 98106-8880
(71) 98211-6758
Redes sociais: Facebook e Instagram – @ressurreicao.ieab
Fonte: site da ieab – www.ieab.org.br




